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Foi preciso vir de longe descobrir valores de uma cultura esquecida

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.04.09

Podemos ver na recolha cuidada de Keiko Kamozawa, muito mais do que objectos culturais, como as rendas e bordados tradicionais portugueses ou outros produtos artesanais.

O olhar da Keiko deixou-se atrair por valores que se esfumam actualmente ou que desapareceram completamente.

Podia ser um olhar saudosista, mas a sua natureza tem a ver com uma outra atitude: mostrar-nos o nosso rosto, quem fomos e quem podemos vir a ser...

Mostra-nos um tempo de coragem e de sentido de comunidade, de mulheres que conseguem cuidar de uma casa e gerir recursos escassos, de uma criatividade e de uma poesia, da simplicidade e funcionalidade, da beleza e do perfeccionismo.

O seu olhar de designer treinou-a a valorizar os pormenores e a funcionalidade dos materiais, mas fixou-se inevitavelmente na sua forma criativa, a sugerir-nos verdadeiras obras de arte.

 

Foi com esse olhar que nos levou a Toquio, com o tema provocador de cultura esquecida, e que deslumbrou outros olhares...

Agora vai expor pela primeira vez em Portugal, em Oeiras, no Mercado Municipal, ao lado da Igreja Matriz (Largo 5 de Outubro) neste fim-de-semana.

 

O tema subentende TrajesEtnografia mas na realidade o seu objectivo vai mais longe, muito mais longe: trata-se de um olhar sobre os nossos valores, sobre uma forma de estar e de viver em comunidade, a esfumar-se, sem sequer nos apercebermos. Valores que fazem parte da nossa natureza, do melhor que fomos e do melhor que podemos ainda ser. 

 

Os contos da Keiko introduzem-nos estes trabalhos de mulheres, e encontram-se linkados aqui ao lado. O que mais me fascinou nestes textos foi a forma como sintetiza ideias e acontecimentos, e como neles tudo se liga quase metaforicamente.

 

 

publicado às 16:56

Os verdadeiros milagres não são visíveis à vista desarmada...

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 13.04.09

E esta Primavera veio uma vez mais lembrar-me essa mensagem. Sim, os verdadeiros milagres não são visíveis à vista desarmada.

 

A Páscoa sempre foi a minha época do ano preferida. Em parte porque é na Primavera, e nem sequer as consigo dissociar: tudo a florir, a vida a renascer com toda a sua programação intrínseca. Tudo à nossa volta a lembrar-nos que estamos vivos, a acordar-nos, a sacudir-nos, a por-nos a caminho!

 

A minha avó falava-me muito nos antigos... na sabedoria dos antigos... os antigos é que sabiam... Bebi essas mensagens ao longo da infância e adolescência, talvez por sentir que me iriam ser muito importantes. Como um mapa. Não como aqueles mapas arrumadinhos que nos dão com os roteiros todos feitinhos... Mas como aqueles mapas desenhados à mão, com sonhos lá dentro, e a possibilidade de criar um outro percurso, sempre mais perto do céu.

 

Dos antigos, a mensagem essencial, a síntese filosófica: os verdadeiros milagres não são visíveis à vista desarmada. No fundo, a linguagem da vida e do amor, da expansão da alma, dos olhos do coração, de uma sensibilidade e de uma consciência abrangente... é uma linguagem diversa da linguagem do mundo.

Mas o mundo sem essa linguagem seria um local praticamente inabitável: áspero, frio, cheio de arestas e marcado pela mesquinhez boçal do visível e espectacular. 

 

Os milagres da minha vida sempre estiveram em momentos e em olhares, em abraços e em coincidências felizes. 

A simplicidade do amor e da amizade... suavizarmos o caminho em comum... esses são os maiores milagres da existência. Abrir os olhos do coração para os conseguir ver e celebrar... essa é a síntese filosófica dos antigos...

  

publicado às 09:16

As farsas, as ilusões, os vícios e a soberba, num filme perto de nós

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 06.04.09

Esta reunião do G-20 revelou-nos mais pela actuação previsível dos seus actores do que pelas possíveis soluções (que afinal são mais problemas a somar aos que já nos arranjaram), e inspirou este post fabuloso de Bruno Alves "Acabar com a farsa? Qual delas?", n' O Insurgente.

 

Não resisti a colar algumas partes, até porque acompanha um filme de culto (para os especialistas) de Jean Renoir, La Règle du Jeu, fazendo o paralelismo com a actuação destes novos actores: os actores principais (Obama, Sarkosy, Merkel) e os actores secundários.

 

Então aqui vai:

 

"... Lembrei-me de La Régle Du Jeu ao ver as imagens da reunião do G-20 esta semana. Se alguém estivesse a pensar em fazer um remake do filme de Renoir, teria bastante com que se inspirar no sarau de Londres. Pois também aquela gente continua a viver num mundo que já não é o nosso, alheios à realidade e entregues à maior das ilusões."

 

Ah, "as ilusões":

"... estão tão alheios à realidade e entregues à maior das ilusões como as ridículas personagens de Renoir. Obama, Brown, Merkel e todos os outros representam o mundo que esta crise veio pôr em causa. Ou são as pessoas que conduziram as políticas que nos trouxeram esta crise, ou são pessoas que, vindas depois, as repetem, que continuam a falar um aumento do endividamento dos estados, como se fosse através da contracção de dívida que se sai de uma crise provocada por endividamento excessivo. "

 

Ah, a "soberba":

"São pessoas que continuam a falar da necessidade de maior regulação estatal, como se não tivessem sido imposições do governo federal americano a dar origem ao problema do sub-prime que fez rebentar a crise. São pessoas que, como escreveu David Brooks, querem substituir a soberba da Wall Street pela soberba de Washington, de Londres, de Berlim, de Paris. São pessoas que continuam a não hesitar em realizar grandes “cimeiras” onde fazem anúncios que não correspondem à verdade, que anunciam como novidades saídas da conferência medidas que há muito já estão em acção, tudo para poderem fingir que estão a fazer alguma coisa ... ."

"São pessoas que mantêm os piores vícios da década de 90 (a paixão pelo endividamento, a ilusão de que são capazes de resolver tudo a partir do Governo, a subordinação do conteúdo à imagem), num mundo que precisa do contrário (de maior poupança, de mais prudência, de mais verdade)."

E a que preço nos irão sair estes vícios?

 

"Numa cena do filme, Robert diz ao seu mordomo para ele “pôr fim a esta farsa”. Este último pergunta: “Qual delas?”. Se nós pedirmos a Obama, a Brown, a Merkel, a Sarkozy, a Barroso, e à restante pandilha do G-20, para acabarem com a farsa, eles também terão uma grande dificuldade em saber a qual delas nos estamos a referir."

 

 

 

(E entretanto a terra tremeu em Itália... Em Áquila, mais propriamente. Não terá sido por ali que se filmou outro filme, "A mulher falcão"? É que a palavra Áquila, na minha memória, está ligada a esse filme...)

 

publicado às 09:09

A saga do consumidor ou a previsibilidade do predador

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 02.04.09

Já há uns dias que ando para colocar aqui uma série de posts do Carlos Barbosa de Oliveira (de quem já usurpei uma Carta à Mulher Portuguesa): Consumições, no Delito de Opinião.

Aqui estão alguns exemplos da saga dos consumidores e também da previsibilidade dos predadores.

 

Como já também disse aqui, a crise financeira vai revelar tudo isto de forma cada vez mais intensa e generalizada.

 

Por isso estes posts, como os Consumições, são tão importantes e oportunos (infelizmente)!

 

 

Oh, oh... só agora reparei que, na tag dos consumos, veio também um post do João Carvalho: Perdemos sempre... desta vez a propósito da nossa pobre competitividade, e logo no sector dos sapatos!

 

 

publicado às 08:58


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